Fertilizante mais caro reforça importância de corrigir acidez do solo

05 de outubro 2021

Calagem ganha força não apenas na questão ambiental, mas também na planilha financeira do agronegócio

Foto: Divulgação

A elevação dos preços do fertilizante torna o processo de calagem do solo mais importante para o agricultor. A correção da acidez do solo, como é conhecida a calagem, ganha força não apenas na questão ambiental, mas também na planilha financeira do agronegócio.

O controle dos custos impacta diretamente nos valores recebidos pelos produtores em culturas como soja e milho. A estimativa é que os ganhos gerados pelos bons preços dessas commodities serão menores, em função da alta nos itens da planilha de custos.

“O cenário reafirma a importância da calagem na potencialização dos fertilizantes”, alerta João Bellato Júnior, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Calcário Agrícola (Abracal). O consumo de calcário, uma das formas de correção da acidez do solo, deve ficar em torno de 47 milhões de toneladas em 2021, representando uma alta ante os 43 milhões do ano passado.

Porém, a aplicação ainda é tímida ante a necessidade dos solos nacionais. “O ideal para um país tropical como o Brasil, com terras ácidas predominando, seria perto de 70 milhões de toneladas”, avalia Bellato.

Um solo com pH perto de 4,5 perde aproximadamente 70% do fertilizante utilizado, segundo pesquisas científicas. Esse desperdício seria evitado com a correção de acidez antes da aplicação do adubo. A calagem eleva o pH, representado em uma escala numérica química que vai até 7. Na escala próxima de 6, a perda cai para 19%.

Entraves mundiais

Os entraves da economia têm prejudicado o comércio mundial. Há uma volatilidade no preço do fertilizante em patamares elevados, avalia o Rabobank – banco que atua focado no agronegócio. Estudo trimestral do banco divulgado em setembro mostra que, ante agosto do ano passado, a ureia – um dos componentes dos adubos – apresentou preços 68% maiores. Há outros componentes com elevações que beiram 140%.

A alta nas commodities também ampliou a corrida pelos insumos, pressionando os valores para cima. O custo da logística para importação do fertilizante também teve alta expressiva. Somado ao cenário do câmbio, resta ao produtor rural pouco a fazer. Desde março do ano passado, a cotação mensal do dólar sempre está acima dos R$ 5.

Bellato reforça a necessidade de a informação técnica chegar ao pequeno agricultor. “As grandes empresas, incluindo as usinas de açúcar, já têm a correção da acidez de solo em suas práticas rotineiras”, explica.

Frete caro

Para o dirigente empresarial, a demanda reprimida de calagem está distante dos aspectos financeiros. “O entrave no Brasil é o frete, que encarece o transporte do calcário até a fazenda. A tonelada do corretivo apresenta um preço bastante acessível, se comparado ao do próprio fertilizante, por exemplo”, afirma.

A associação tem contribuído para a melhoria do cenário. Recentemente, lançou em seu site um e-book gratuito com orientação aos produtores rurais. O material, bastante intuitivo, reforça o ganho de produtividade trazido pela melhoria das condições do solo, com o devido acompanhamento técnico.

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Também integra o grupo que estuda o Plano Nacional de Fertilizantes, em avaliação pelo governo federal. Garantir a oferta de corretivo tem sido outra ação. “Nossas associadas estão trabalhando inclusive aos domingos para atender aos produtores”, disse.

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